Como fotografar na sua próxima viagem

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Carlos Rincon, fotografia de Viagem!

Quando vamos viajar procuramos sempre fotografar e recordar os momentos e lugares que visitamos. A fotografia é uma ferramenta que ajuda o observador a notar alguma transformação no ambiente ou mesmo em uma pessoa.

A fotografia de viagem é um momento único em que os fotógrafos precisam sempre estar preparados para fotografar com um único disparo. O bom fotógrafo de viagem precisa saber o que vai fotografar. A primeira dica de organização é fazer uma pesquisa on-line em sites e no Google Earth sobre os locais que serão percorridos, isto te ajudará a ter uma ideia do que poderá ser fotografado, ajudando também a saber os horários ideais para fotografar em cada local. Essa pesquisa é importante para ter uma ideia de quais locais visitar e também saber os pontos para se obter as melhores fotografias.

Outro fator importante é pesquisar por fotógrafos “nativos” da região, verificar os trabalhos produzidos por eles e suas fotografias do local. Essa é uma forma muito interessante de encontrar novas ideias para produzir grandes imagens.

Qual é melhor modo de operação para fotografar em viagem?

As câmeras tem vários modos de operação, eu sempre fotografo em modo manual. Essa operação é sempre viável, porque fornece uma grande liberdade e uma maior possibilidade de criar, e desenvolver as técnicas de congelamento, movimento, profundidade de campo, e fotometria seletiva.

Os modos de operação:

A (nikon) AV (canon)

Este modo de operação é fundamental para quem quer criar fotografias com profundidade de campo (fundo desfocado), lembrando que nesse modo de operação o usuário precisará regular o ISO e a abertura do diafragma, de maneira que através desses dados a câmera regulará a velocidade do obturador de acordo com sua condição de luz.

S (nikon) TV (canon)

Neste modo de operação o usuário precisará regular o ISO e a velocidade do obturador. É sempre bom lembrar que em velocidades acima de 1/250 teremos o início do congelamento e em velocidades abaixo de 1/60 teremos uma maior quantidade de luz, e consequentemente obteremos o efeito de movimento.

P (nikon/canon)

Este modo é quase um semi-automático, e com ele o usuário precisará regular o ISO de acordo a luminosidade do ambiente. Dessa maneira, vale lembrar que o usuário poderá usar o ISO da seguinte forma: 100 á 400 para dias ensolarados e nublados, 400 á 800 para dias nublados e de chuva, e 800 para ambientes escuros.

Lembrando que isso é uma dica e não uma regra!

M (nikon/canon)

O modo manual oferece grandes possibilidade de operação do equipamento, fornece ao fotógrafo a possibilidade de produzir fotos muito mais técnicas e com mais liberdade de escolhas.

Qual lente podemos utilizar em uma fotografia de viagem?

Esse é o tipo de pergunta que recebo com frequência, “devo levar uma lente zoom ou fixa?”.

A minha experiência me levou a utilizar lentes com zoom, como exemplo:

Canon

Lentes com grande possibilidade de zoom, como à 18 – 135mm ou a 24-105mm. A grande diferença destas lente é a abertura do diafragma (F), porém, ambas são excelentes para uma boa viagem.

Nikon

As lentes da nikon que indico são: 18-105mm e 24-120mm. A questão em relação à abertura do diafragma (F) são as mesma das lentes da Canon.

Apesar de tudo isso, nada te impede de usar uma lente fixa, como por exemplo, 50mm, 35mm ou mesmo uma teleobjetiva de 135mm, porém é importante ressaltar que será necessário observar mais e manter uma distância maior ou menor do objeto que você vai fotografar.

Sempre se envolver com o assunto:

É importante para um fotografo de viagem sempre se envolver ou mesmo ter o contato com as pessoas as quais ele se interessa em fotografar.

Uma recomendação básica é produzir imagens em formato retrato, pois geram imagens fascinantes, porem, não se esqueça de também produzir imagens em formato paisagem, elas transmitem de maneira satisfatória o local ou situação em que se encontra o motivo fotográfico.

É ideal relembrar as regras de composição fotográfica:

A regras dos terços sempre nos fornece imagem de qualidade e também traz uma verdadeira dimensão do que queremos.

Antes de tirar a foto, imagine a área da fotografia dividida simultaneamente em 3 terços verticais e horizontais, isto é, trace três linhas paralelas imaginárias no sentido horizontal e no sentido vertical da fotografia. As interseções destas linhas imaginárias sugerem 4 opções para a colocação do centro de interesse para uma boa composição. A opção depende do assunto e como o fotógrafo quer que ele seja apresentado. Geralmente, fotos com assuntos centralizados, tendem a ter uma característica mais estática e menos interessante do que fotos com o assunto fora do centro. Você deve sempre considerar a direção do movimento dos assuntos, e deixar um espaço na frente, dentro do qual possam se movimentar. Pode-se também aplicar a orientação da regra dos terços na colocação da linha do horizonte em sua fotografia, pois a linha do horizonte dividindo a foto ao meio, dá uma sensação de estática. O mesmo vale para assuntos verticais, os pontos onde as linhas se cruzam chamam-se “Pontos de Ouro”.

O fotógrafo deve utilizar o plano visual com elementos precisos, como se fosse uma “mala de viagem”, cuja ocupação requer racionalidade e utilidade dos componentes. É a elaboração criativa destes elementos dentro do quadro visual, que permite a sintetização da ideia na retratação da realidade.

Vamos ver alguns pontos para produzir ótimas fotos durante sua próxima viagem.

Primeiro são os planos fotográficos:

Planos: Quanto ao distanciamento da câmara em relação ao objeto fotografado, levando-se em conta a organização dos elementos internos do enquadramento, verifica-se que a distinção entre os planos não é somente uma diferença formal, cada um possui uma capacidade narrativa, um conteúdo dramático próprio.

É justamente isso que permite que eles formem uma unidade de linguagem fotográfica, a significação decorre do uso adequado dos elementos descritivos e/ou dramáticos contidos como possibilidades em cada plano.

Veremos cada plano, usando a nomenclatura cinematográfica para de forma didática, facilitar as definições dos enquadramentos, ajudando dessa maneira o seu estudo.
Os planos se dividem em três grupos principais:

Grande Plano Geral

O ambiente é o elemento primordial. O sujeito é um elemento dominado pela situação geográfica. Objetivamente a área do quadro é preenchida pelo ambiente, deixando uma pequena parcela deste espaço para o sujeito que também o dimensiona. Seu valor descritivo está na importância da localização geográfica do sujeito, e o seu valor dramático está no envolvimento, ou esmagamento, do sujeito pelo ambiente. Pode enfatizar a dominação do ambiente sobre o homem ou, simbolicamente, a solidão.

Plano Geral

Neste enquadramento, o ambiente ocupa uma menor parte do quadro; divide assim, o espaço com o sujeito. Existe aqui uma integração entre eles. Possui grande valor descritivo, situa a ação, e o homem no ambiente em que ocorre a ação. O dramático advém do tipo de relação existente entre o sujeito e o ambiente. O PG é necessário para localizar o espaço da ação.

Plano Médio

É o enquadramento em que o sujeito preenche o quadro – os pés situados sobre a linha inferior do quadro e a cabeça encostada sob a parte superior do mesmo, até o enquadramento, de maneira que a linha inferior corte o sujeito na linha da cintura. Como se vê, os planos não são rigorosamente fixados por enquadros exatos, eles permitem variações, sendo definidos muito mais pelo equilíbrio entre os elementos do quadro, do que por medidas formais exatas.

Os PM são bastantes descritivos, diferem dos PG que narram a situação geográfica, por descreverem a ação e o sujeito.

Primeiro Plano

Enquadra o sujeito dando destaque ao seu semblante. Sua função principal é registrar a emoção da fisionomia. O PP isola o sujeito do ambiente, portanto, “dirige” a atenção do espectador.

Plano de Detalhe

O PD isola uma parte do rosto do sujeito. Evidentemente, é um plano de grande impacto pela ampliação que dá a um pormenor que, geralmente, não percebemos com minúcia. Pode chegar a criar formas quase abstratas.

O foco é outro elemento que vai ajudar o nosso observador a gerar o interesse na sua fotografia.

Dentro dos limites técnicos, temos possibilidades de controlar não só a localização do foco, como também a quantidade de elementos que ficarão nítidos.

Além disso, podemos, também, trabalhar com a falta de foco, ou seja, o desfoque. Podemos enfatizar melhor um elemento da fotografia sobre os demais, selecionando-o como ponto de maior nitidez dentro do quadro. A escolha depende do autor, mas a força da mensagem deve muito ao foco. É ele que vai ressaltar um certo objeto em detrimento dos outros constantes no enquadramento. A pequena falta de foco de todos os elementos que compõem a imagem pode servir para a suavização dos traços, o contrário acontece quando há total nitidez que demonstra a rudeza ou brutalidade da realidade.

Produzir elemento em movimento

O captar ou não o movimento do sujeito é também uma escolha do fotógrafo. Às vezes, um objeto adquire maior realce quando a sua ação é registrada em movimento, ou o movimento é o principal elemento, portanto deve-se capturá-lo. Outras vezes, a força maior da ação reside na sua estagnação, na visão estática obtida pelo controle na máquina.

Formas Geométricas

Forma não é só contorno, é o modo do objeto ocupar espaço. As possibilidades normais de fotografia, fornecem aspectos bidimensionais da imagem, a forma, enquanto aspecto isolado, pode fornecer a sensação tridimensional. A maneira pela qual a câmara pode fornecer a sensação tridimensional, depende de alguns truques visuais, tais como: a maneira pela qual as imagens são compostas; os efeitos da perspectiva; a relação entre os objetos longe e objetos próximos.

É importante não fotografar alguém longe com uma lente longa, sem antes conhecê-los um pouco primeiro.

Não tenha medo de andar para cima e pedir às pessoas para tomar sua imagem. Sorrir e ser simpático, mas também ter suas necessidades em consideração. Sempre ser sensível a questões culturais e tentar passar algum tempo com seu assunto.

A maioria das pessoas que me aproximo na rua ou na praia, ou onde quer que esteja, está feliz e lisonjeado por ter sua imagem feita. Não se esqueça de dar-lhes informações sobre si mesmo e oferta para lhes enviar uma cópia para seu uso pessoal!

Ângulo e posição do fotógrafo

A câmara pode ser situada tanto na mesma altura do sujeito, como também abaixo ou acima dele. Ao fotografarmos com a máquina de “cima para baixo” (mergulho) ou de “baixo para cima” (contra-mergulho) temos que nos preocupar com a impressão subjetiva causada por esta visão.

A máquina na posição de mergulho, tende a diminuir o sujeito em relação ao espectador e pode significar derrota, opressão, submissão, fraqueza do sujeito; enquanto que o contra-mergulho pode ressaltar a sua grandeza, sua força, seu domínio. Evidentemente estas colocações vão depender do contexto em que forem usadas.

Procure textura

A textura fornece a ideia de substância, densidade e tato. A textura pode ser vista isoladamente. A superfície de um objeto pode apresentar textura lisa, porosa ou grossa, dependendo do ângulo, dos cortes, da luz…

A eliminação da textura na fotografia pode causar impacto, uma vez que é uma forma de eliminar aspectos da realidade, distorcendo-a. A textura é um elemento muito importante para a criação do “real” dentro da fotografia, embora possa, também, desvirtuá-lo.

A iluminação fornece inúmeras possibilidades ao fotógrafo. Ela está interligada aos outros elementos da linguagem, funcionando de forma decisiva na obtenção do clima desejado, seja de sonho, devaneio, ou de impacto, surpresa e suspense. A iluminação pode enfatizar um elemento, destacando-o dos demais como também pode alterar sua conotação.

A perspectiva auxilia a indicação da profundidade e da forma, uma vez que cria a ilusão de espaço tridimensional. Ela se determina a partir de um ponto de convergência que centraliza a linha, ou as linhas principais da fotografia.

Composição e equilíbrio:

Composição é o arranjo visual dos elementos, e o equilíbrio é produzido pela interação destes componentes visuais.

O equilíbrio independe dos elementos individuais, mas sim do relativo peso que o fotógrafo dá a cada elemento. Desta maneira, considera-se que o mais importante para o equilíbrio é o interesse que determinará a composição dos outros elementos, tais como: volume, localização, cor, conceituação. Como todos os outros elementos, o equilíbrio será obtido de acordo com os propósitos do fotógrafo, de evocar ou não estabilidade, conforto, harmonia  e etc.